Cinco jogos parecidos com GTA e para quem cada um funciona melhor
Cinco jogos parecidos com GTA com foco em combate, roteiro, hacking e destruição, e o perfil de jogador certo para cada um.


A lista de jogos relacionados a GTA costuma começar pelos mesmos nomes e terminar na mesma frustração. O mapa é grande, o tiro é parecido, e duas horas depois você não lembra por que estava dirigindo até ali.
O problema quase nunca é qualidade. É encaixe. GTA virou referência do mundo aberto criminal porque juntou direção, tiroteio e a liberdade de fazer as missões na ordem que você quiser, e cada jogo que bebe dessa fonte resolve a equação de um modo diferente. Alguns trocam o tiro por soco. Outros colocam a história na frente do mapa e deixam a cidade em segundo plano, o que muda o motivo de continuar jogando. Um deles sugere que você nem precise atirar.
Separei cinco alternativas que fazem algo diferente do original, ou fazem melhor. O critério não foi nota de review nem tamanho de mapa. Foi a pergunta que importa na hora de instalar: o que esse jogo pede de mim?
Sleeping Dogs é o mais físico entre os jogos parecidos com GTA
Sleeping Dogs abre com uma briga de mercado, entre bancas e paredes de azulejo, e deixa claro ali o que quer ser. Lançado em 2012 pela United Front Games com publicação da Square Enix, ele troca o carro-chefe do gênero por combate corpo a corpo. Você é Wei Shen, policial infiltrado nas tríades de Hong Kong. A cidade é um labirinto de ruas estreitas e prédios colados, onde perseguição raramente dura muito tempo em linha reta.
O sistema de luta usa o cenário. Dá para arremessar um inimigo contra uma porta de ferro, agarrar alguém perto de um freezer aberto, encadear contra-ataques no ritmo certo. Quem erra o tempo come o golpe. Essa leitura de espaço vale mais que qualquer barra de vida e cria uma tensão que o tiro de GTA não oferece: quanto mais gente entra na briga, mais coisas existem para usar.
Em 2014, a Definitive Edition chegou ao PC, ao PS4 e ao Xbox One com os extras já embutidos. É a versão que vale procurar hoje.
Prós:
- Combate que aproveita o cenário e recompensa quem lê o ambiente.
- Hong Kong em escala de bairro, com perseguições que exigem mais curva que reta.
- A história de identidade dupla pesa nas escolhas de missão.
Contras:
- Direção e tiroteio ficam em segundo plano, e quem gosta de perseguição longa sente falta.
- O mapa é menor que o de qualquer GTA recente.
Para quem serve: quem cansou de resolver tudo com uma metralhadora e quer uma briga que dói.
Em Mafia: Definitive Edition, o roteiro pesa mais que o mapa
Existe um jogador que atravessa o mapa sem olhar a vitrine. Ele quer a próxima cena, não o próximo atalho. Mafia: Definitive Edition foi feito para essa pessoa, e não faz cerimônia em admitir.
O jogo é um remake do original de 2002, refeito pela Hangar 13 e publicado pela 2K em 2020, com versões para PC, PS4 e Xbox One. A cidade é Lost Heaven, nos anos 1930, e você começa como Tommy Angelo, taxista que entra para a máfia depois de um encontro ruim. A campanha segue uma linha: cada missão tem começo, cenário e fim planejados, e a ordem é sempre a do roteiro.
Isso parece limitação, e em parte é. Você não escolhe por onde começar, não monta império, não decide se o próximo trabalho é do chefe A ou do chefe B. Em troca, cada missão tem peso de cena. Um assalto a banco vira aula de ritmo. Uma perseguição de carro antigo vira prova de paciência, porque o carro não perdoa curva feita no susto.
O mapa existe, mas é cenário. Quem tenta tratá-lo como parque de diversões se decepciona em vinte minutos.
Esse é o jogo para quem quer uma história de crime bem contada, com menos escolha e mais direção.
Watch Dogs 2 só melhora quando você abandona o tiroteio
Dá para zerar boa parte de Watch Dogs 2 sem disparar um tiro, e o jogo fica melhor quando você faz isso. Lançado em 2016 pela Ubisoft, ele coloca você em São Francisco com um celular no lugar do rifle.
Hackear é o verbo principal. Câmeras viram pontos de observação. Carros viram armadilha, e semáforos viram ferramenta quando você precisa parar uma perseguição. Antes de entrar num prédio, você pode passar dez minutos olhando os corredores pelo sistema de segurança, marcando guardas e escolhendo a porta dos fundos. Se a coisa dá errado, o tiroteio existe, mas é a saída menos interessante.
São Francisco ajuda. A cidade é compacta, cheia de subida, e cada bairro tem um tipo de problema. A estrutura de missões é aberta o bastante para você atacar um alvo por caminhos diferentes, e o tom é de brincadeira: o grupo DedSec trata vigilância em massa como piada interna, o que alivia o peso do tema.
Consistência é o ponto fraco. As missões de perseguição e as seções de ação direta lembram que o combate foi feito para não atrapalhar, não para ser bom.
Faz sentido para quem gosta de planejar antes de agir e não se importa de passar mais tempo no celular do que no gatilho.
Just Cause 3 é para quem mede diversão em hectares de destruição
O gancho de Just Cause 3 não é a história, e o jogo sabe disso. Lançado em 2015 pela Avalanche Studios com publicação da Square Enix, ele coloca Rico Rodriguez numa ilha mediterrânea chamada Medici com um objetivo simples: derrubar tudo que estiver de pé.
A navegação é o sistema. Você tem gancho, paraquedas e wingsuit, e a combinação dos três transforma deslocamento em brincadeira. Dá para saltar de um penhasco, planar até uma base, puxar um soldado com o gancho no meio do voo e cair atirando. Em nenhum outro jogo desta lista o simples ato de ir de um ponto a outro rende tanta coisa.
As bases podem ser atacadas em qualquer ordem, e cada uma é um quebra-cabeça de explosão: derrube o transformador e o posto cai, derrube a ponte e o reforço não chega. A história serve de desculpa, e os personagens falam demais.
Para quem serve: quem joga em sessões curtas e quer resultado visível antes de desligar o console, sem compromisso com o que vem depois. Você liga o jogo, escolhe um alvo, causa um estrago e desliga. Serve pouco para quem precisa de motivo narrativo para continuar.
Se o que falta é humor, Saints Row entrega de sobra e cobra caro
Nem todo mundo quer realismo em mundo aberto. A série Saints Row existe para quem acha que dirigir até a missão já é burocracia demais, e o reboot mais recente mantém essa promessa sem pedir desculpa.
Aqui o crime é piada. As armas são absurdas e a customização vai longe. Os personagens comentam a própria missão, como se soubessem que estão num jogo. O mapa funciona como parque: você não mora nele, você usa. Para quem joga duas horas por semana e quer rir, essa leveza vale mais que qualquer simulação de trânsito.
A conta chega na tensão. Quando tudo é piada, nada pesa. Uma missão de resgate tem o mesmo tom de uma entrega de pizza, e a reta final perde força porque o jogo nunca quis te assustar. Também é o tipo de estrutura em que as atividades secundárias se repetem, e a repetição fica visível mais cedo do que em Mafia ou Sleeping Dogs.
Prós:
- Entra rápido, sem tutorial longo nem drama.
- Customização ampla o suficiente para você se importar com o personagem e com o carro que ele dirige.
- Humor constante, sem virar pastelão o tempo todo.
Contras:
- Falta de peso dramático em boa parte das missões principais, que nunca assustam de verdade.
- Atividades repetidas sustentam boa parte do mapa.
O público aqui é quem quer um mundo aberto para desligar a cabeça depois do trabalho, não para se envolver com uma história.
O tamanho da sessão pesa mais que o mapa nestes jogos relacionados a GTA
Assim que você compara os cinco lado a lado, aparece um padrão que a maioria das listas ignora: o tamanho da sessão importa mais que o tamanho do mapa. Watch Dogs 2 e Just Cause 3 são o exemplo mais claro. Um pede infiltração paciente, o outro pede explosão imediata, e trocar os dois de horário estraga a experiência dos dois.
Abaixo, a tabela resume o eixo de cada jogo. Repare na coluna do verbo: é ela que decide se você vai gostar do resto.
Jogo | Verbo central | Ritmo que combina | Ponto de atrito |
|---|---|---|---|
Sleeping Dogs | lutar | sessões médias, uma missão por vez | direção e tiro são coadjuvantes |
Mafia: Definitive Edition | seguir roteiro | noites longas, poucas interrupções | pouca liberdade de ordem |
Watch Dogs 2 | hackear | sessões curtas de infiltração | tiroteio punitivo |
Just Cause 3 | explodir | vinte ou trinta minutos de caos | história quase decorativa |
Saints Row (reboot) | improvisar | sessões soltas, sem compromisso | tom brincalhão dilui a tensão |
Nenhum desses jogos é pior que os outros. São respostas diferentes para a mesma pergunta, e a pergunta certa é quanto tempo você tem e o que pretende fazer com ele.
Como escolher entre jogos parecidos com GTA quando o tempo é curto
Com cinco opções boas, o erro mais comum é comprar pelo tema e não pelo ritmo. Um jogo de máfia parece perfeito até você perceber que não suporta missão com roteiro fechado. Já um jogo de explosão cansa rápido quando a terceira base parece cópia da primeira.
São quatro passos, e nenhum deles depende de gostar de review.
- Escolha o verbo. Você quer atirar, lutar, hackear, explodir ou improvisar? O verbo define o jogo.
- Meça sua sessão real. Se você joga quarenta minutos por noite, Just Cause 3 rende mais que Mafia. Se tem o domingo inteiro, Mafia devolve melhor.
- Confira a plataforma e a versão. Sleeping Dogs, Mafia, Watch Dogs 2 e Just Cause 3 têm versões em PC e em consoles da geração passada, então vale checar a loja antes de comprar.
- Jogue a primeira hora observando uma coisa só: o jogo te deixa escolher a ordem? Se a resposta for não, aceite isso antes de continuar.
No fim, a decisão raramente é sobre qual jogo é melhor, e sim sobre qual deles combina com a sua noite. Se você quer uma briga que exige atenção, comece por Sleeping Dogs. Para história com peso de cinema, Mafia resolve. Quem prefere planejar sem pressa encontra em Watch Dogs 2 o melhor encaixe, e quem só quer causar estrago pode ir direto para Just Cause 3. Já o humor absurdo fica com Saints Row.
Nenhum deles substitui GTA, e nenhum tenta. Todos pegam uma parte da fórmula e levam a sério o suficiente para sustentar um jogo inteiro. Escolha a parte que você mais sente falta.






